Pormenores

    Escrito por Gustavo Bottega em 28 de novembro de 2011 às 11:07

    O Super-homem

    Vida de Super-homem não é tão simples. Essa história de ter que salvar o mundo todos os dias e coisa e tal. O pobre Clark Kent nunca imaginou que seria assim depois que deixou a colônia para morar em Bentópolis. Se deu conta que a vida na cidade grande era difícil diante de tanta maldade nos corações. Na redação do jornal Bento Diário, todos riam do seu jeito atrapalhado, tropeçando nas coisas, e quando levava esporro do chefe por não conseguir nenhum ‘furo’ jornalístico.

    Sua vida pacata só mudava quando escutava o chamado que vinha da rua. De fininho, saia pela janela da redação. Voando. Nem que fosse para ajudar velhinhas a atravessar a rua na 13 de Maio, ou dar um susto em algum flanelinha mais abusado na Cidade Alta. Mas a realidade não era bem assim. A demanda do crime começou a aumentar em Bentópolis, e Clark cada vez mais trocava o terno pela roupa azul e vermelha. Até começar a abalar o namoro com a colega de trabalho, a bela e despachada Lois Lane. Nos jantares, Clark sumia de repente e não voltava.

    Até, que numa fatídica madrugada de sábado, o Super-Homem teve que salvar Lois na saída do baile do Susfa. Quando começou a tocar “Ai, se te pego’, um popular tentou beijá-la a força. O Super-Homem apareceu como um raio para resgatá-la. Num sopro, congelou o espertinho juntamente com sua garrafa de Kaiser. Rompendo a parede, os dois voaram para o alto, Lois escorada naquele peito de aço, até suavemente pousar seus pés em algum terraço no mórbido Centro de Bentópolis.

    A partir deste dia, Lois nunca mais foi a mesma. Estava dominada por uma paixão platônica. Nem, Clark, na sua visão raio-x, havia visto um coração tão palpitante.  Ali, percebeu que a sua garota passou a gostar do seu outro eu, mesmo usando cueca por cima da calça.

    E sua a vida ficou insustentável. Clark não conseguia mais fazer nada direito, estava perdendo o controle. Chegou a quebrou quatro máquinas datilográficas no mesmo dia. Saía chutando caminhões de lixo e pensava: ‘O que ele tem que eu não tenho’, e passava a noite enchendo a cara de Toddynho com kriptonita.

    Até que num dia, no limiar da loucura, precisou tomar a decisão de sua vida. Invocou o oráculo de Krypton e pediu para ser um homem normal, abdicando dos seus poderes. E não se arrependeu. Clark, com muito esforço, conseguiu reconquistar o coração da amada Lois Lane.

    E teve que conviver com a dura rotina de Bentópolis. Clark conheceu a dor, apanhou em bailes. Viu a cidade em caos e nada pode fazer. Mas tinha tomado a decisão certa.   Ele se tornou o dono do próprio tempo. Conseguiu fazer com que as pessoas admirassem o seu jeito de ser. Clark Kent havia encontrado o seu herói verdadeiro.

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    Quem é Gustavo Bottega

    Jornalista, fundador do site Fato Livre. Trabalha como repórter e cronista esportivo no Jornal Semanário de Bento Gonçalves. Fotógrafo e músico nas horas de folga.


    É autor de 178 matérias no Fato Livre!

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