Pormenores

    Escrito por Gustavo Bottega em 13 de dezembro de 2011 às 21:55

    O Garçom

    E tenho dito. O cara que trata mal o garçom bom sujeito não é. Se você quer conhecer a verdadeira essência de uma pessoa observe o seu comportamento em um bar ou restaurante. Cansei de ver gente insultando estes profissionais. E por que o garçom? Tem muito disso daquela falsa ideia que o garçom estaria preparada para aguentar qualquer desaforo, testando sua paciência de ouro, enfim, obedecer vontades de todo o tipo de gente, numa relação quase primitiva. Algumas pessoas se aproveitam disso para enaltecer o seu poder achando que sua vida é melhor do que um cara que equilibra uma bandeja.

    Pra mim, tratar um garçom arrogantemente é decisivo. Um ato que passa despercebido para alguns, mas pra mim é definidor de caráter. De nada adianta a pessoa tratar bem você e maltratar o garçom na sua frente. Uso como padrão o garçom, mas vale para qualquer profissional na arte de ‘servir’ o público.

    Ainda mais aqui na ‘poderosa’ Bentópolis. Concordo, uma cidade turística tem que acolher e receber bem as pessoas, sem distinção, coisa que um garçom bem treinado faz. Mas o que tem de gente xarope e muquirana vou te contar.

    Tem o sujeito que já enche o saco antes de comer. Vai ao rodízio de pizza e reclama do preço: “Como pode massa e queijo custar tão caro”. E desconta no pobre do garçom. Depois esbraveja que só vieram 32 dos 33 sabores. Se o cara for advogado, então, está feita a confusão.

    Esse tipo de gente gosta mesmo de humilhar, chamar a atenção em voz alta para todo mundo escutar. E o garçom, mesmo com vontade de decepar a cabeça do cliente com a bandeja, mantém a postura e a simpatia. Se reagir, perde o emprego. Tem a consciência que nunca poderá agir como um menino mimado ou um senhor dos escravos.  Aliás, será que o cliente sempre tem a razão? Não, ele também perde a razão. E por motivos bestas. Poxa, mesmo se o garçom estiver errado, não custa nada chamar de canto, pois cabelos não caem na comida de propósito. Eu já vi uma cena de um namorado sendo muito grosseiro com um garçom na frente da namorada. Só conseguia pensar: “Como pode essa garota ter alguma atração por um escroto desses?”

    Em virtude disso, prezo o bom gesto e sei que faz toda a diferença. Como um fato que marcou minha vida e sempre me serve de exemplo. Certa noite numa casa noturna, ao longe, pedi uma bebida para o garçom, que trajava uma camisa branca e colete preto. Ele se virou e riu pra mim, atitude que não entendi. Logo depois, ele veio até mim e disse: “Olha, eu não sou o garçom, mas te trouxe esta bebida”.

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    Quem é Gustavo Bottega

    Jornalista, fundador do site Fato Livre. Trabalha como repórter e cronista esportivo no Jornal Semanário de Bento Gonçalves. Fotógrafo e músico nas horas de folga.


    É autor de 178 matérias no Fato Livre!

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