Pormenores

    Escrito por Gustavo Bottega em 24 de outubro de 2011 às 11:27

    O amor é para os tolos?

    ‘Liberdade na vida é ter um amor a se prender’. A frase do escritor Fabrício Carpinejar defronta com o pensamento de uma geração.

    A onda que se vê por aí é de competição. O importa é a performance, já que o campeonato é por pontos corridos. O que vemos por aí são garotas superproduzidas, corpos esculpidos por bisturis, que chegam sozinhas e, após um desfile de modas na pista, saem sozinhas da festa. Empresários, executivos, estudaram a vida toda, e sozinhos. Ninguém quer mais se envolver, se apaixonar, dar e receber carinho. Demonstrações públicas de amor, felicidade a dois passou a ser cafona e nos fazem parecer ridículos. O mundo anda rápido demais, no ritmo das máquinas reguladas para não sentir.

    O sistema é bruto, casual e furtivo. Uma jornada frenética pela imagem de poder e status. Você não quer mostrar para todo mundo que fraquejou diante dos caprichos de uma mulher. Tem dificuldade em assumir e dizer ‘fica comigo, nada mais importa’.  Nunca vai dizer que quando a beija o mundo ao redor desaparece como mágica.

    O instinto lhe diz que deve seguir junto nesta marcha cega de estranhos, que trocam fluidos e vão embora. É a lei. É proibido olhar no fundo dos olhos, como se tivesse medo do feitiço de uma ameaçadora medusa. E não percebe que é seu coração que virou pedra.

    Bem lá no fundinho, todo mundo quer alguém para amar. Para isso, precisa atropelar as barreiras da sociedade moderna, pagar mico se for preciso, falar o que sente, bancar o bobalhão inocente, e de cara limpa. É o grande desafio.

    Alguns acham que são felizes em um namoro de fachada como o jovem empresário promissor, com a garota mais linda, independente Bentópolis, desejada até pelos seus próprios amigos do futebol. Sua vida se resume em aparecer na coluna social ostentando taças de espumante.

    Oras, ser feliz não tem nada a ver com a imagem. É uma questão de prioridade, mesmo se precisar trabalhar bem menos. Felicidade é imaginar esse homem de negócios dando risada com sua amada ao comer chimia com o dedo. Um profissional de sucesso está liberado para assistir Chapolin e ser estabanado. Não precisa ter postura para ser feliz. E por que não dividir isso com alguém, poxa vida?

    John Lennon admitiu que chegou uma hora que não adiantava encher a cama de transa. Mesmo a contragosto dos outros beatles, queria estar junto com a Yoko o tempo todo. Não podia ficar separado dela para não sacrificar o amor seja qual o motivo, música, negócios, amigos e por alguma ‘piranha’. Pois só Yoko iria abraçá-lo à noite.

    Bob Marley tem outra linha: “Ela pode não estar pensando em você a cada segundo do dia, mas ela te dará uma parte dela que ela sabe que você pode quebrar – o coração dela. Então, não machuque ela, não mude ela”.

    O amor é tão tolo como a música, mas que muda quando o notamos.

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    Quem é Gustavo Bottega

    Jornalista, fundador do site Fato Livre. Trabalha como repórter e cronista esportivo no Jornal Semanário de Bento Gonçalves. Fotógrafo e músico nas horas de folga.


    É autor de 178 matérias no Fato Livre!

    1 Opinião

    • Vinícius Rodrigues disse:

      Nesse tipo de amor, sou aluno que não frequenta as aulas, e nem faço muita questão. Ótimo texto, acho até que serve de complemento para o BBBento, hehe.

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