Pormenores

    Escrito por Gustavo Bottega em 22 de agosto de 2011 às 12:58

    Mundo paralelo feminino

    Tá aí um assunto sobre o qual ninguém escreve: o tão injustiçado banheiro. Sempre rola um tabu para falar de uma coisa tão simples, no entanto, íntima. Após a sugestão de uma amiga, resolvi fazer mais uma aventura empírica, desta vez, pelo mundo paralelo das mulheres. Leia-se: banheiro feminino. E me permito discorrer pelo assunto sem precisar adentrar neste recinto extraordinário onde fenômenos estranhos acontecem. Principalmente nos banheiros de festas e baladas.Então, amigos homens, vou-lhes contar toda a verdade sobre o que elas fazem nesta câmara secreta a qual ninguém entrou e sobreviveu para contar a história. Se você prefere manter a magia e mistério do ‘toilet fatale’, para de ler agora. Pois, nas próximas linhas eu vou desvendar tudo, após uma intensa pesquisa. E começo pelo mistério número 1. Vocês sabem por que as mulheres nunca vão sozinhas ao banheiro? A resposta é a mais simples: pura solidariedade. Nessa hora, o mundo para e elas realmente se unem pela mesma causa. E nem precisam ser tão amigas, basta aderir a gestos simples porém decisivos como: segurar a bolsa da amiga. A pior coisa para elas é largar a bolsa naquele ninho de micróbios, sei lá, protozoários mutantes. Exatamente o oposto do banheiro masculino. Os homens, lado a lado no mictório (que mais se assemelha a um cocho suíno), nunca vai se oferecer a segurar alguma coisa para o amigo (falo da cerveja, claro). O homem jamais será solidário ali.

    As moçoilas, encorajadas pelo efeito da bebida, sempre irão emprestar aquela maquilagem importada. O banheiro feminino é um lugar onde todas são amigas e confidentes. Ali pode até começar uma grande amizade.Mas tem o lado negro também.  A inveja frequenta este ambiente. Sempre tem aquelas que ficam comparando os modelitos. O azulejo barato do chão vira uma passarela de um concurso de beleza. Pelo espelho se dá um diálogo esnobe de poses e olhares. E logo começa uma competição de arrumação de cabelo em diversos ângulos, puxações de decotes e uma corrida para ver quem consegue refazer melhor o concreto do rosto. Com ar superior, encolhem a barriga, empinam a bunda e deslizam porta afora para seguir na luta para ‘pegar’ o melhor partido da festa.

    Além de tais comportamentos, tem a questão limpeza também. Algumas afirmam que, madrugada adentro, o banheiro feminino fica muito mais sujo do que o masculino. Elas dizem mesmo sem conhecer o masculino, que nesta altura, a água no cocho já transborda pelo chão fétido. Cada um com a sua realidade. Mas apesar de tudo, eu prefiro pensar que ali, pelo menos ali, todo mundo é igual.

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    Quem é Gustavo Bottega

    Jornalista, fundador do site Fato Livre. Trabalha como repórter e cronista esportivo no Jornal Semanário de Bento Gonçalves. Fotógrafo e músico nas horas de folga.


    É autor de 178 matérias no Fato Livre!

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