
O que é o Brasil? E como é o Brasil?
O que mais tomou tempo nesta campanha eleitoral foi a política demagógica, inescrupulosa e carismática. Frente a frente, Dilma Rousseff e José Serra. Situação contra oposição. Reedição clássica de Arena contra MDB.
No centro das provocações e comparações, os governos e seus espelhos retroagidos. Inegavelmente impossível destoar da cabeça de milhões de brasileiros que José Serra não é Fernando Henrique Cardoso, e que Dilma não é Lula. Aliás, eles nem querem isso.
Citada e reiterada pelo lado petralha – alguns petistas segundo Reinaldo Azevedo – e pela demagogia que se dilui nos discursos, no governo Lula. Afirmam com raiva: “tiramos” 28 milhões de pessoas da pobreza. E colocaram onde? “Elevamos a classe média”. A impressão que tenho é uma consequência sem causa. A propósito, a intenção é justamente esta. A Propagandaminister é orgulhosa. Não cita quem criou “a fórmula mágica contra pobreza” e tão quanto desqualificam outras iniciativas do mesmo caráter. Uma espécie de semitismo político.
Aliás, já se mostraram eximiamente capazes de usurpar de idéias e feitos alheios em benefício próprio. Tomam de assalto a verdade, sem que haja direito a uma súplica miserável. Não tem, a verdade está a serviço estatal.
Apesar de alguns filósofos afirmarem que na há verdade absoluta, e sim relativa, suas teorias caem em alguma destas latas de lixo de coleta seletiva, perante aos olhos febris e indolentes estatal. Temos a realeza da verdade, “rainhos da veracidade”.
A desmoralização alheia tem se tornado uma prática de marketing comum na máquina petralhista. O foco das perseguições petistas para com os tucanos são as privatizações – prática que consiste em conceder a uma empresa ou grupo privado o direito de explorar certo beneficio por um determinado tempo estipulado em contrato. No entanto, petistas são virilmente contra este tipo de prática, tanto é assim que estatizaram até coisas que não existem a olho nu, como por exemplo, a informação. EBC, NBR, TV Senado, TV Câmara, TV Brasil, Vox Populi, Carta Capital, e mais tantas outras sucursais exercem ou tentam, o monopólio da informação. Ainda há a disposição de qualquer pelego midiático o getulista programa Voz do Brasil.
O poder maciço e despretensioso de um partido que tem a aura de Trabalhador, cujo fruto da espoliação do MDB – Movimento Democrático Brasileiro, a oposição da Ditadura – se mostra inegavelmente corrompido, quando um dos seus fundadores, o jurista Hélio Bicudo, apóia o candidato José Serra, por não concordar com práticas internas do PT. Estranho, mas a sua desfiliação ocorreu quando explodiu o escândalo do Mensalão.
Porém, a tirania petralhista pode ainda se perpetuar por 12 anos, caso Dilma Rouseff seja eleita. Isso por que, primeiro ela não tem nenhuma capacidade administrativa. Seu trabalho nesta área é desconhecido por que nunca houve. E segundo, que podemos entrar em um retrocesso democrático. Segundo a própria, hoje o Brasil é a “maior democracia do mundo”. Dois erros. Se maior estiver significando tamanho populacional, estamos distantes – e muito – de China e Índia, por exemplo. Caso signifique consolidação democrática é outra falácia, visto que o voto é algo obrigatório, e obrigatoriedade em democracia são dois antônimos. Este retrocesso democrático que cito, na verdade, estou fazendo meras menções à alguns fatos ocorridos durante esta campanha que se revelaram muito, “democráticas”.
Lula, um palanqueiro carismático, afirmou categoricamente que devemos extirpar o DEM da política brasileira. José Dirceu, – cassado em decorrência do escândalo do Mensalão – e um dos manda-chuvas da campanha de Dilma, afirmou contundentemente que o problema do Brasil é o excesso de liberdade de imprensa. Outros ilustres deputados petralhistas, já sugeririam algo próximo à um SNI da era “democrática de Dilma Rousseff” em vários estados brasileiros.
Mas, nada destas medidas fascistas estariam em nossas terras reinando, caso o povo não desce o seu aval. Algo próximo a 88% de aprovação nacional, Lula tem em seu governo. “Se o povo quer pão e circo, então dê ao povo pão e circo”. Grotescamente, ou não, é desta maneira que tratam o povo.
Este que é movido a Bolsa Família, não lhe convém mudar a situação de ganhos sem esforços, de prófugas absolutas. A eles, resta apenas confiar em que lhes apequenassem para que estes, já tomados pela soberba mediocridade, votem e aprovem falcatruas e cinismo. As semelhanças com o Getulismo, e, por conseguinte com o fascismo são nitidamente claras. Os três nestes casos tiveram imensa aprovação popular, por mais desonesto, sanguinário e caluniador que fosse.
A ver pelo Popeye Petista, política é um assunto para se tratar de banalidade e futilidades, e jogar os interesses de um governo futuro em alto mar. Dilma, afirmou em 2007 em entrevista ao Jornal Folha de São Paulo que era a favor da descriminalização do aborto. Porém, quando veio à superfície seu posicionamento, resolveu misteriosamente mudar de opinião. Mas estava lá, no PNDH3 – Programa Nacional de Direitos Humano, uma cláusula sobre o aborto, para ser analisada com carinho pelos “cumpanheiros” de Lula. Porém, como a população – principalmente – é mediocre, a questão do aborto não é entendida de maneira complexa, e sim simplória.
“Ao invés de legalizarmos o aborto, não seria melhor que nós educássemos a população de como prevenir este? Ou será que a educação lhes dá medo? Mas aviso de antemão, nada de paliativismo, se for pra realmente educar, que seja de maneira correta e eficaz.”
Ainda na tônica eleitoral, Dilma Rousseff desconhece seus amigos. Tamanha lenhosidade da face, a presidenciável já chegou a negar que Erenice Guerra era seu braço direito, tudo por que se descobriu que na Casa Civil, presidida por Erenice havia uma máquina de lobby com nítido tráfico de influência. Dilma classificou como “factóide”. Depois até admitiu que Erenice errou, mas será investigada e se for o caso punida.
Quando me refiro a maquina lulista de propaganda, e afirmo que ela está próxima a perfeição não é por menos. A aura do Bolsa Família, hoje alcunhada como programa de erradicação da miséria no Brasil não tem consigo nenhuma criação lulista. A idéia inicial em âmbito federal é do governo Fernando Henrique Cardoso, o que o atual governo fez, foi agrupar os antigos programas – Bolsa Alimentação, Bolsa Gás, Bolsa Escola – em um só. Estes inclusive são oriundos de outras políticas piloto.
“Quando criei esse nome, havia um objetivo: colocar na cabeça da população pobre que a escola era algo tão importante que ela ganharia dinheiro para o filho estudar. O Lula chegou e disse: ‘A pobreza é uma coisa tão preocupante que você vai ganhar um benefício por ser pobre’. Deixou de ser uma contrapartida para a ida do filho à escola. Essa contrapartida não é cobrada com a devida ênfase. A coisa amoleceu quando Lula tirou o programa do ministério da Educação, onde o Fernando Henrique tinha colocado, e levou para o ministério do Desenvolvimento Social” – Cristovam Buarque, criador do Bolsa Escola.
A única diferença entre os programas é primeiramente o nome, claro, e a sua dimensão. No governo Lula, ele foi duplicado inúmeras vezes. Claro, não amputemos aqui a função do programa. Porém, a sua aplicabilidade é totalmente desqualificatória, uma vez que proíbe de receber quem trabalha formalmente. Cerca de 45 milhões de brasileiros são beneficiados com o programa. Porém, o mais retumbante que há, são as coincidências. Auschiwtz Eleitoral da turma de Lula é no Nordeste, onde há maiores números de pobres e miseráveis e analfabetos, e também onde há maiores beneficiados com o PBF – Programa Bolsa Família. Então, temos finalmente um governo que olha para os excluídos? Talvez. Acontece que quanto menor o índice de escolaridade e conhecimento, mais fácil é o convencimento. O voto é persuadido de tal forma com que pequenos esforços formam-se partidários assíduos de anos, em dias.
Citando agora outro assunto que polarizou o debate: privatizações. Quanta ignorância em um lugar só! Privatizações e Estatizações têm suas vantagens e desvantagens, nenhuma é completamente boa ou má. Do ponto de vista político, quanto maior estatizadas forem as empresas, melhor visto que há melhor controle, porém há o monopólio e está a serviço de seus superiores, para o que quiseres. Os altos escalões da Petrobrás, por exemplo, estão em poder de pessoas ligadas ao ex-presidente da República, Fernando Collor de Mello. Outro problema, no Brasil, é a incapacidade administrativa que há por parte do Estado. Estradas estatais deveriam ser atuadas em Homicídio Doloso – quando há intenção de matar. Alias, não culpemos as estradas, deveríamos culpar quem ordena para que sejam feitas. Bancos Estaduais, por exemplo o BESC, estavam em total defasagem de qualidade. Hospitais Públicos não tem condições para suportar a demanda. Então, onde está o Bicho Papão das Privatizações? Ausência de lugar para empregar amigos?
Faz próximo a um ano que os Correios – empresa estatal – entrou em greve. Aliás, greve tem sido um dos pontos de “censura” do governo até o presente momento. Determinada a ridícula lei, a qual é permitido se fazer greve, porém deve-se manter 20% dos serviços. É um absurdo ter uma lei como esta. A função da greve é justamente parar de funcionar, para que o governo ou o órgão administrativo competente superior de “olhos a situação”. Com os 20% funcionando, a greve perde seu sentido. Mas é justamente para calar os movimentos contrários ao governo, que se determinam Leis tão banais, e ao mesmo tempo tão ditatoriais, que só são aceitas, pela soberba burrice do povo.
Por fim, Lula. Hoje temos um Presidente que não gosta nem de ler. (Se o exemplo vem de cima…). É um profundo desconhecedor de políticas públicas. Revirando um pouco o Youtube, encontrei os debates presidenciais de 1989, ano da primeira eleição na “era democrática”, a qual foi vencida por Fernando Collor de Mello. No debate, o qual foi transmitido simultaneamente por SBT, Record, Globo e Band, Lula se mostrou um analfabeto ideológico. Não sabia nada da “bandeira” que carregava. A bandeira em questão era a socialista, e tanto ele, como Collor de Mello, não sabiam nem alhos e bugalhos sobre socialismo. Quase tudo que foi falado por ambos, foi por um mero senso comum. Este é o Presidente com 88% de aprovação. Desconhecedor das práticas e ideologias do seu próprio partido.
Mas há ainda coisas interessantes a serem analisadas. No auge da sua raiva vendo que a imprensa estava fazendo campanha anti-Dilma, alguns petralhistas à paisana chegaram a pedir o fim do poder midiático. Oras seja, isso quer dizer censura. Jornalistas, que sempre foram o símbolo da resistência, hoje lutarem pela censura. Apoiaram o movimento o MST, CUT, CTB, Força sindical, Nova Central Sindical, CGTB, ALTERCOM, PDT, PSB, PCdoB, PT PSOL, PSTU, PCB, PPL e LBI. Todos em nome da DEMOCRACIA. Desde quando?
Este texto não se trata de uma campanha pró-Serra, até mesmo por que acredito que nós estamos subservientes a duas campanhas iguais, mas diferentes. Ninguém deles fará alguma mudança substancial como realmente prometem. Ninguém revolucionará a educação, como precisamos. Como exemplo fez a Coréia do Sul, a China, o Japão. Tão quanto, realmente não lutarão contra a pobreza, promovendo de verdade mudanças, ficará apenas neste câncer social do Bolsa Família, como se isso realmente é uma luta contra a pobreza. Suspeito, aliás, de quem eles estão a favor. Se é de quem os eleges, ou se é dos que lhe mantém.
Mas como eu disse acima, há certas coisas que são boas, mas não dão votos. Logo, entendo que política é algo para si, e não para outros, visto que se não dá-se votos, é sinal que o objetivo é apenas manter-se no poder, e não chegar a ele lutando por seus objetivos. Como disse este texto não é em favor é de alguém, ou de algum. Emiti minha opinião em poucos momentos, a maioria na verdade, são relatos de fatos e acontecimentos que durante estes 8 anos de aconteceram. E infelizmente, também, teremos mais quatros anos de retrocesso. Não é o retrocesso que o PT afirma caso votem em Serra, ou vice-versa é o retrocesso social, patológico.
O problema do Brasil é que temos medos de mudanças, temos medo de não sermos compreendidos, não sermos entendidos, de provocar revoltas. Quem tentou-ás nunca obteve sucesso. Cristovam Buarque do PDT foi candidato a Presidente em 2006, carregando a bandeira da educação. Sem sucesso. Marina Silva carregou a bandeira da sustentabilidade econômica, fez “história” para uma terceira via, foi cobiça de ambos os candidatos a Presidência, porém apesar de todo o sucesso, não obteve o êxito desejado. O próprio Lula teve de encontrar sua normalidade para vencer em 2002. Antes disso, havia um Lula extremista, de esquerda, sem o apoio necessário.
O que então dá para se concluir depois de tudo isso? Que o Brasil, precisa urgentemente de uma revolução. Uma revolução, que começa a partir da política. Que haja efetividade no que se faz. Haja sim, extinção da pobreza, mas com trabalho, com dignidade, não através deste adubo eleitoral o qual é este câncer intitulado como Bolsa Família. Que haja bons índices de escolaridades, mas não através desta farsa que é o IDEB, que proíbe reprovação primária. Então, afinal de contas, em qual Brasil vivemos? O da realidade, ou o dos números?
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