Pormenores

    Escrito por Gustavo Bottega em 4 de agosto de 2010 às 18:26

    Ali, somos todos iguais

    “Sentado no vaso, meu pensamento afunda, é a m* que bate na água, é a água que bate na bunda”… quem nunca filosofou no banheiro. Arrisco a dizer que é ali, quase de cócoras, quase em posição fetal, é que as pessoas têm as grandse ideias e inspirações do dia-a-dia. O indivíduo tem a chance de se descobrir como ser humano pensante, e de forma nua e crua, como veio ao mundo. No banheiro, WC, ou toilete, todos os humanos são iguais. Todo mundo terá que limpar a cagada que fez. Ali é o trono da verdade, onde nos nivelamos como seres vivos, seja  a rainha da Suécia ou a Keka (prostituta de rua aqui de Bento). Qualquer um pode viver a pele de Roberto Carlos no chuveiro ou imitar a Lady Gaga no espelho. Para mim, o banheiro une o útil ao agradável, claro, eximimos os odores.

    Machões?

    No banheiro, os machões podem demonstrar seu lado feminino em paz, sem medo de ser feliz. Roubar o condicionador da esposa. E ainda espera três minutos para fazer efeito antes de enxaguar, conforme as instruções do rótulo. Os tempos mudaram. Uma vez homem era proibido de falar condicionador. “Muler, tá aqui nessa ‘partilera’ o Creme Rince”, dizia ele no supermercado. A época do Conan já passou. Hoje o homem não esquece mais de lavar as orelhas e o pescoço. Entrou na fase dos cremes e loções. Mas não assume por nada.

    Filosofia de Banheiro

    Uma vez, o banheiro masculino era bem mais silencioso. Hoje, o macharedo exorcizou a síndrome de viadice de trocar palavra no sagrado mictório. Aliás, abro um parêntese. Que troco mais gotresco, se for pensar. Um mictório nada mais é que um cocho de porco, só que não é para comer. Certa feita, estava num banheiro fazendo um ‘mix’ e veio um senhor e estacionou do meu lado no ‘cocho’. Quando terminei e fui para fechar a braguilha da calça eu só ouvi uma voz súbita que ecoou pelo recinto cavernoso. “Não adianta sacudir, o último pingo é sempre da cueca”.

    Competição

    Tem o cara que quer fazer competição. Chega no vaso e faz questão de urinar na água para fazer bastante barulho e denotar que seu membro exerce boa pressão. Ou o cara tá no banheiro da boate, larga a ceva em cima do mictório e displicente, pigarreia e cospe em direção do próprio membro. Aliás, o banheiro é uma verdadeira suruba de bactérias. Até hoje não entendo uma coisa. As mãos são a parte mais suja do corpo? Por que será que ninguém lava antes de manusear o pobre do ‘bigurrilho’, que tava lá protegido e teoricamente limpo.

    Na tranquilidade

    Realmente as pessoas tem dificuldade de falar sobre isso. Imagina escrever. Então vos descrevo abertamente. A melhor coisa do mundo é  ir aos pés de forma tranquila. Na sua casa, com jornal, sem jornal, com música, sem música, sem barulho, sem pressão, sem ninguém no banheiro ao lado, sem ninguém atrás da porta. Tem gente que tem fobia extrema de c* em outro lugar que não seja sua casa. Banheiro público, esquece. Em um estádio ou show de rock é um suplício. No banheiro móvel nem se fala. NO meu caso, ainda bem, o intestino véio nunca me pregou peça em algum evento importante ou no shopping. Mas tem exceções. Na faculdade, no repente, um ‘reboliço nas tripa’ em forma de novelo tomou conta do meu ventre. Tive que deixar a aula do movimentado Bloco A e procurei (acho que no Bloco J) um local tranquilo para executar o serviço. Adentrei no banheiro, cheirinho de Ajax, completamente vazio. Perfeito.  Aí, durante o serviço, escuto o barulho da porta ranger. Um sujeito caminha e para na porta na minha frente até onde podia ver seus tênis encardidos pela parte debaixo da porta. Aí veio a voz: “Cagando hein”…Tóin!

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    Quem é Gustavo Bottega

    Jornalista, fundador do site Fato Livre. Trabalha como repórter e cronista esportivo no Jornal Semanário de Bento Gonçalves. Fotógrafo e músico nas horas de folga.


    É autor de 178 matérias no Fato Livre!

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