Blog da Corneta

    Escrito por Gustavo Bottega em 17 de agosto de 2010 às 15:15

    Renato: de padeiro a ídolo gremista

    Nesta quinta-feira, o maior ídolo gremista, o herói do título mundial de 83, Renato Portaluppi, assumiu o comando do clube tricolor. Foi uma questão de tempo para o ex-craque voltar ao Olímpico, agora na casamata tricolor. Irá viver o papel como Valdir Espinosa,  quem revelou o ponta-direita para o mundo. O Semanário conversou com alguns personagens que conviveram com Renato antes da fama. Desde as dificuldades quando trabalhava como padeiro até os seus primeiros passos na carreira vestindo a camisa do Clube Esportivo. Um conclusão era certa: o   fanfarrão mas obstinado guri, literalmente respirava futebol.
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    Infância difícil

    Renato Gaúcho é natural de Guaporé, mas viveu a maior parte da infância em Bento Gonçalves. Para  ajudar a família pobre, aos 12 anos, começou a meter a mão na massa, literalmente. O primeiro emprego surgiu na padaria Favaretto, na Osvaldo Aranha. O proprietário, Azir Favaretto, 67 anos, lembra como se fosse hoje dos dois anos em que trabalhou como padeiro. “A gente chamava ele de ‘Balin’ pois ele era meio cabeçudo com as coisas, mas fazia muito bem o seu trabalho”, conta ele. Porém, Seu Azir percebeu que Renato tinha outros objetivos. “Bastava uma folguinha, ele já ia pra rua jogar bola”, diz ele. Um dia, Renato chegou no trabalho e disse que ia embora. “Tenho que cuidar dos meus interesses, foi o que ele me disse. Como aqui tinha que trabalhar no sábado e não podia jogar, foi trabalhar na Todeschini pra ficar livre no fim de semana”, lembra. E foi num campeonato de empresas da cidade que surgiu o convite para fazer um teste no juniores do Esportivo.
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    Azir
    Seu Azir Favaretto deu o primeiro emprego de padeiro a Renato aos 12 anos idade

    Toninho Fronza, Silvio e Raquete mostram as fotos do tempo que jogavam com Renato no Esportivo

    O começo no Clube Esportivo

    Renato (1º agachado) no juniores do Esportivo em 1978

    Em 1978, Renato começou a treinar com o Clube Esportivo. Seu primeiro treinador foi Adão Sabino. Jogou pelo juniores em um campeonato citadino. Um dos colegas desse time era Silvio dos Santos, que também se tornou jogador profissional. Ele lembra que desde o início, foi um jogador polêmico. “Ele era esquentado mesmo, brigava até com torcedor”. Mas em campo, a lembrança era de um jogador raçudo, atributo que o consagrou no Grêmio. Em 1979, aos 17 anos, foi incorporado ao time principal pelo técnico Valdir Espinoza. Era o primeiro passo para o estrelato.

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    A primeira conquista

    Amarelado pelo tempo, está lá pendurado na galeria do Montanha dos Vinhedos, o quadro da maior conquista do Esportivo e a primeira de Portaluppi, que na foto, veste a faixa do vice-campeonato gaúcho de 1979. Com ele, personagens áureos do alviazul como Jânio, Toninho Fronza, Adílson, Neca, Silvio, Sperotto e Raquete. Aliás, o xerifão da zaga guarda na memória o quanto era difícil marcar Portaluppi nos treinos. “Tinha molecagem, pegava a bola e ia pra frente driblando todo mundo”, conta Raquete. Ficou tão impressionado com o futebol daquele garoto que deu nome Renato a um dos filhos, que hoje é jogador profissional. Toninho Fronza, também acompanhou os primeiros movimentos de Renato. Aliás, disse que nunca houve uma geração tão talentosa no Esportivo, onde muitos jogadores foram revelados. “Naquela época era no amor mesmo”, lembra. Na lembrança de Celso Freitas, Renato não chegou a jogar uma partida inteira pelo estadual de 1979, mas lembra que encomodou muitos zagueiros. “Não estava no ‘Jogo da Neve’ em Bento, mas  jogou 45 minutos contra o Grêmio no Olímpico neste mesmo ano”.
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    A grande chance

    Depois do vice em 1979, o técnico do alviazul Valdir Espinosa foi convidado a treinar o Grêmio no ano seguinte. Não pensou duas vezes em levar Renato para fazer teste no juniores do time da capital. Deixou a família em Bento e foi em busca do sonho. Em 1981, com 19 anos, já iniciava a carreira de profissional no Grêmio com Espinosa no comando. Mesmo com a morte do pai, teve força para continuar e marcar muitos gols até que em 1982 se firmou como titular absoluto. Em 1983 veio o momento máximo: o título do Mundial Interclubes em Tóquio marcando os dois gols na vitória sobre o Hamburgo. Naturalmente, chegou à seleção. Só não disputou a Copa de 1986 por indisciplina, cortado por Telê Santana.
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    Bendita Apendicite
    A pouco mais de uma semana do título mundial, Renato passou por uma cirurgia de apendicite. Foi operado no Hospital Tachini pelos médicos Antônio Carlos Koff e Luiz Corbelini. “Imagina se tivesse acontecido isso há 10 ou 12 dias atrás, eu ia ficar fora do jogo em Tóquio”, disse Renato, na cama do hospital. A reportagem pode ser vista no site YouTube, na internet.
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    De volta a Bento Gonçalves

    Portaluppi esteve em Bento recentemente em razão da morte da mãe. Na ocasião, num restaurante da cidade, reencontrou seu primeiro chefe, Seu Azir, e seu ex-colega de Esportico Raquete. Renato não reconheceu os dois de início, mas depois relembrou com carinho da acolhida na cidade. Até hoje ele ajuda financeiramente os familiares. Ele sabe que não pode negar o passado e também quem já o ajudou por aqui.

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    Quem é Gustavo Bottega

    Jornalista, fundador do site Fato Livre. Trabalha como repórter e cronista esportivo no Jornal Semanário de Bento Gonçalves. Fotógrafo e músico nas horas de folga.


    É autor de 178 matérias no Fato Livre!

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