Art Pop

    Escrito por Gustavo Bottega em 19 de abril de 2011 às 19:01

    No ritmo das ‘reúnas’

    Olha onde eu estava no show de PoA!

    Nunca pensei que fosse excursionar por um túnel do tempo tão longo e intenso. Ao menos para mim, o dia 12 de abril de 2011 ficará marcado na linha da vida num paralelo afetivo com a minha infância, que só alimentou aquela saudade boa dos tempos das ‘reúnas’.  Nunca pensei que iria ver ao vivo a banda que embalou meu coração juvenil, mais precisamente na dança, agarradinho com a coleguinha mais popular da classe, em algum fim de tarde de sábado.

    Essa lembrança só poderia ter sido resgatada da mente com tantos detalhes num momento único da minha existência: no show do Roxette. Após 19 anos, para a euforia dos nostálgicos de plantão, a banda retornava a Porto Alegre. Lá estava a cremosa dupla sueca em plena forma, num show que empolgou o público no lotado Pespi On Stage.
    Pra mim, foi um milagre vê-los no palco tocando com tanta competência, esbanjando energia, e mandando ver em todos os hits. Milagre também para a banda. Em 2002, a vocalista Marie Fredriksson descobriu um tumor maligno no cérebro. Os médicos disseram que a chance de cura era de 20%. E ela venceu. Superou a doença e, pelo que presenciei, retorna à música, se não com a mesma mobilidade no palco mas, surpreendendo com sua voz (ainda limpa e cintilante) alcançando as notas mais agudas com naturalidade.
    A abertura foi de arrepiar. A dobradinha Dressed for Success e Sleeping in My Car fez todo mundo sair do chão. Puxado pelo carisma do vocalista e guitarrista Pen Gessle – compositor da maioria das canções -, o público aprovou o novo álbum Charm School, e interagiu o tempo todo com palmas fervorosas durante todo o show.
    Era nítido que a banda estava se divertindo no palco e curtindo a volta ao solo gaúcho. O guitarrista solo fez questão de dedilhar o hino do Rio Grande do Sul, que foi acompanhado por um coral de quase seis mil vozes. Formada pela performática banda de apoio, dos veteranos Clarence Öfwerman (produtor e tecladista), Pelle Alsing (bateria) e Magnus Börjeson (baixo) e pelos animados Helena Josefsson (backing vocals e percussão) e Christoffer Lundquist (guitarra solo); a dupla empilhou clássicos como How Do You Do, Dangerous, Joyride e It Must Have Been Love, por vezes deixando a galera cantar sozinha trechos inteiros.
    Eu, a poucos metros da banda, assimilei o som que vinha com espontaneidade e qualidade impressionantes. Em dois bis, a banda fez todo mundo se emocionar com a clássica dos bailinhos Spending My Time e com a empolgante The Look. Para fechar com chave de ouro, Listen to Your Heart e uma versão acústica de Church of your Heart. Para mexer com qualquer coração indeciso.

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    Quem é Gustavo Bottega

    Jornalista, fundador do site Fato Livre. Trabalha como repórter e cronista esportivo no Jornal Semanário de Bento Gonçalves. Fotógrafo e músico nas horas de folga.


    É autor de 178 matérias no Fato Livre!

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