Art Pop

    Escrito por Gustavo Bottega em 2 de outubro de 2011 às 23:10

    A Música Pulsa

    Dizia Victor Hugo que a música é um barulho que pensa. O Aurélio, afirma que a música é uma combinação de sons. A matemática explica a música como uma junção de notas de uma escala em um determinado espaço de tempo. Mas sabemos, lá no íntimo de cada um, que a música faz uma ponte aérea com as emoções. O sinal mais nítido é quando começa tocar uma música que a gente gosta. Seja entrando numa loja, num restaurante, num show, ou quando você ouve no rádio do carro – às vezes a gente parece que pediu a música por telepatia. Neste momento, você começa a vagar pelas ondas sonoras, em orgasmos auriculares múltiplos. É um a cada golfada de guitarra de Keith Richards, por exemplo. É mágico.

    O verdadeiro amante da música não tem vergonha de parar na sinaleira e cantar Maluco Beleza do Rauzito com todo o gás, ou transformando o volante na bateria do Rush. O apaixonado por música é um irredutível. Só vai se apaixonar por alguém que goste das mesmas músicas. Não conheço até hoje um pagodeiro enamorado com uma metaleira. Compartilhar uma música com alguém é uma das melhores experiências sensoriais do mundo. E o que dizer quando muitas pessoas vivenciam a mesma música? É o que se chama de reação em cadeia. Vide ACDC ao vivo – onde seria nula a possibilidade de ficar parado. Os sinais sonoros entram pela cavidade do ouvido e chega ao cérebro como choquinhos elétricos, transportados imediatamente para todo o corpo. E saculejamos enlouquecidos a dar inveja a um epilético.Entretanto, para assimilar a música na sua totalidade, é preciso estar aberto. Pois a nossa mente e nosso coração são como um paraquedas. Só funcionam se os abrimos.

    Não precisa nenhuma técnica. Basta se deixar levar, se envolver pela melodia, entrar no ritmo, e ‘perder os critérios’, isto é, não entrar no contexto técnico da música. O segredo da música está na sua espontaneidade e sinceridade da execução. O mais legal é quando o artista vivencia o momento e transmite isso para o público, deixando o piloto automático desligado. Quanto mais simples e direta a música, mais ela cativará o seu coração. Fará você parar no tempo e refletir sobre a vida. A música é a única coisa do mundo que une nações pelo mesmo propósito, inspira e encoraja a tomar decisões. A música tem o poder de traduzir os anseios de uma geração, as mudanças de comportamento, e porque não dizer, mudar o curso da história. Hoje a cena mudou, as causas são outras, mas a música segue tocando corações e sacudindo esqueletos. Quem não gosta de música, bom sujeito não é…é ruim da cabeça ou é doente do pé.

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    Quem é Gustavo Bottega

    Jornalista, fundador do site Fato Livre. Trabalha como repórter e cronista esportivo no Jornal Semanário de Bento Gonçalves. Fotógrafo e músico nas horas de folga.


    É autor de 178 matérias no Fato Livre!

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